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CULTURA

A CULTURA DA GROENLÂNDIA

O sabor da Groenlândia

Como convidado em um restaurante groenlandês é possível provar comida groenlandesa tradicional – normalmente do muito recomendado bufê groenlandês. A maioria dos restaurantes também possui menus internacionais que incorporam ingredientes groenlandeses.

Se você quiser tentar cozinhar com ingredientes da Groenlândia, então veja as receitas da caçarola de verão com peixe halibute como prato principal, seguido de uma sobremesa de maçãs e frutos vermelhos groenlandeses com uma cobertura crocante – talvez terminando com um café groenlandês.

A comida feita com ingredientes groenlandeses é sempre uma experiência culinária e os ingredientes são normalmente orgânicos, já que os peixes e animais marinhos vivem livres em seu habitat natural e a eles não é dada qualquer alimentação artificial.

Arquitetura

As maiores cidades da Groenlândia são exemplos para provar como uma arquitetura única da Groenlândia está tomando forma. Não é mais suficiente uma casa que seja funcional, inovadora e chamativa, baseada na tradição nórdica, ainda assim única. Os modernos groenlandeses têm – assim como seus antepassados – uma relação especial com a natureza, e isso está indo parar nas mesas dos arquitetos.

Sobre a aurora boreal, isso é bem expresso em Qinngorput, um subúrbio de Nuuk. Os apartamentos aqui são grandes e iluminados, a cozinha e a sala são combinados em um único cômodo, as janelas vão do chão ao teto e as sacadas proveem uma vista sem obstáculos da aurora boreal dançando pelo céu das noites de inverno.

Mais além no Fiorde de Nuuk fica a área residencial de Iiminaq, que é caracterizada por grandes casas de madeira em todas as cores possíveis com gramados e floreiras. As enormes janelas da sala têm a vista do marco de Nuuk, Sermitsiaq. Em Nuuk, as “torres gêmeas” da Groenlândia em Jagtvej se levantam sobre o centro da cidade e são o local imobiliário mais desejado da cidade.

Artesanato

A palavra groenlandesa para arte é “Eqqumiitsuliorneq”, que, se traduzida diretamente, significa “criar coisas que pareçam estranhas”. A inspiração para as artes e artesanato groenlandeses normalmente se origina na vida selvagem e no mundo natural e frequentemente aparecem elementos de crenças tradicionais sobre o mundo dos espíritos.

Você pode quase ouvir os sons sinistros emanando da criatura quando olha nos olhos dela e seu corpo de monstro. Você verá isso nas prateleiras ou na mesa em uma das lojas de artesanato das cidades ou no escritório de turismo local. A criatura em questão é o Tupilak, uma pequena figura esculpida com uma poderosa magia mística. Comprar um é praticamente obrigatório quando se visita a Groenlândia; é único e é uma característica da história da arte e cultura da Groenlândia.

Entretanto, há mais a se descobrir na Groenlândia em termos tanto de arte histórica quanto contemporânea no artesanato. Os museus em várias cidades possuem mostras tanto temporárias quanto permanentes de trabalhos mais contemporâneos. A arte da Groenlândia vai desde a mais tradicional até a moderna, produzida por artistas experimentais e bem qualificados, cobrindo disciplinas como escultura, pintura, instalações, artes gráficas e fotografia. O Centro Cultural da Groenlândia, Katuaq, em Nuuk, normalmente é o local para as maiores mostras de arte contemporânea.

Os artistas utilizam os materiais da própria Groenlândia, tais como a lã do boi almiscarado, lã de ovelha, pele de foca, conchas de marisco, pedra-sabão, chifres de rena, pedras preciosas e muito mais em seus trabalhos. Os escritórios de turismo normalmente têm artesanato da Groenlândia e souvenirs para venda, e um grande número de lojas e locais de trabalho de peles também vendem seus produtos. Em todas as cidades existem escritórios que emitem um certificado chamado CITES certificando que você pode voltar com um Tupilak groenlandês ao seu país (é proibido retornar ao Brasil ou a Portugal com partes de animais).

Moradias da cultura Inuit

Os Inuit viviam no e do seu ambiente natural à sua volta, e isso requeria moradias que fossem fáceis de construir e que fossem localizadas próximas aos locais onde a caça fosse boa. Até os anos 1950 ainda havia regiões na Groenlândia onde os Inuit viviam de em moradias de forma primitiva, mas adequadas. Isso é particularmente verdade sobre a moradia de inverno, que era uma cabana de turfa, assim bem como a mais móvel tenda feita de pele animal, e o iglu, um abrigo temporário feito de neve.

Durante o inverno, às vezes era necessário construir um lar temporário se os caçadores estivessem longe por muito tempo ou se eram pegos desprevenidos pelo mau tempo. Nesse caso o iglu era ideal. A palavra “iglu” na verdade significa “casa”, e apesar de ser uma casa primitiva, o iglu pode prover abrigo e temperatura adequada para a sobrevivência. Um iglu é construído com grandes blocos de neve que são cortados em tamanhos diferentes com uma faca especial para neve. Os blocos são colocados um em cima do outro em uma espiral e formam um abrigo em formato de domo. O iglu era somente utilizado no extremo norte da Groenlândia, onde o mar congela no inverno.

Cabanas de turfa – ou cabanas de “grama” – ainda são vistas em muitas cidades da Groenlândia, mas mais em conexão com mostras em museus locais. A cabana de turfa era o tipo mais comum de moradia, pois eram muito robustas e isolantes do frio, de modo que poderia se viver nelas de um modo mais permanente. Uma cabana de turfa típica era baixa, quadrada e suas paredes eram feitas de pedras grandes com turfa e o telhado era apoiado por pedaços de madeira que o mar trazia. As moradias ficavam sempre próximas ao mar, de modo a que os caçadores pudessem chegar facilmente aos seus caiaques quando estavam caçando focas.

Quando as famílias deixavam as colônias de inverno e as cabanas de turfa no início da primavera, os jovens e adultos saíam para coletar frutos, caçar renas e pescar. Isso os deixava com provisões suficientes que duravam por todos os longos invernos. Para evitar ter que dormir a céu aberto, eles carregavam tendas feitas de pele de foca que eram fáceis de serem carregadas e podiam ser montadas onde a comida fosse ser encontrada. As tendas eram sustentadas por madeira e a camada de fora de pele de foca era presa ao chão usando pedras.

Festivais

O Dia Nacional da Groenlândia é comemorado em 21 de junho, o dia mais longo do ano. Todas as cidades e colônias comemoram o dia com uma programação similar, consistindo de canções e entretenimento.

O retorno do sol – após meses de escuridão do inverno e céus limpos estrelados no norte da Groenlândia é particularmente especial ver o sol aparecer no horizonte novamente. O retorno do sol é comemorado com excursões familiares, música, café e bolo na maioria das cidades ao norte do Círculo Polar Ártico. Por exemplo, em 13 de janeiro as famílias e turmas de escola em Ilulissat fazem um passeio até a Colina Holms (Seqinniarfik) em trenós puxados por cães e recepcionam o retorno do sol com músicas.

O Natal é uma ocasião particularmente festiva na Groenlândia. É celebrado com numerosas velas e várias estrelas vermelhas e laranjas características do Natal que podem ser vistas em todas as janelas de casas particulares e prédios públicos. Nas cidades, as luzes de Natal são acesas no primeiro domingo do Advento, e a atmosfera aconchegante nas casas das famílias aumenta ainda mais com as decorações de Natal. De acordo com a tradição na Groenlândia, as estrelas de Natal e outras decorações natalinas não podem ser retiradas até o dia 6 de janeiro.

O Ano Novo é comemorado da mesma forma que na Europa, com boa comida, fogos de artifício, cantorias e champanhe – apesar de ter uma diferença: em 31 de dezembro o Ano Novo é comemorado duas vezes – primeiro o Ano Novo dinamarquês às 20h (há uma diferença de 4 horas) e então o Ano Novo groenlandês à meia-noite. Em ambas as ocasiões o céu noturno e paisagens cobertas de neve são iluminados por foguetes coloridos.

A arte groenlandesa através dos tempos

Historicamente falando, a arte da Groenlândia veio desde as tradições culturais dos caçadores de focas e baleias, com decorações em pele, vestimentas e ferramentas até a arte moderna contemporânea como a conhecemos hoje. De forma não surpreendente, esse desenvolvimento seguiu o desenvolvimento da sociedade. Não tendo um conceito de arte, o senso artístico na Groenlândia se desenvolveu rapidamente com a chegada dos europeus no século 16. Artistas visuais emergiram e começaram a produzir obras de arte que não devem ser meramente vistas como parte de uma grande operação ou trabalhos decorativos.

As primeiras coisas que vemos são pequenas aquarelas, desenhos ou figuras esculpidas feitos por groenlandeses que ficaram no país por diferentes causas. Nesse caso, são artistas como Aron de Kangeq (1822-1869) e o entalhador de madeira Johannes Kreutzmann (1862-1940) que são significativos. Entretanto, os trabalhos artísticos não são só interessantes de serem observados. Os trabalhos de Aron de Kangeq são pequenos, com descrições detalhadas, tipicamente feitos com lápis ou aquarela, de lugares e eventos na Groenlândia contemporânea e eles também servem como material valioso como fonte histórica que ajudam a entender o passado.

Com o artista Hans Lynge (1906-1988), que no seu traço é intimamente conectado com o impressionismo europeu, a arte da Groenlândia se estabeleceu como uma linguagem independente. Uma linguagem que o mais jovem Jens Rosing (1925-2008) refinou em seus vários retratos de animais e natureza. As gerações seguintes de artistas irão normalmente mencionar esses dois pioneiros quando expressarem sua afiliação com outros artistas.

Nos anos políticos dos anos 1970, que culminaram com a autonomia em 1979, o papel da arte muda. Por exemplo, a arte é usada para mostrar uma atitude específica groenlandesa (sua face) para o mundo lá fora. O direito às terras nas regiões do Ártico é mostrada de forma natural de pertencimento à terra, ao mar e ao céu. Não é de se surpreender que grande parte da arte na Groenlândia nesse período é sobre a relação entre o homem e a natureza.

Artistas tais como Aka Høegh (1947-) e Anne-Birthe Hove (1954-2012) são e foram representantes desse movimento. Os trabalhos de Anne-Birthe Hove contêm elementos claramente políticos, enquanto Aka Høegh trabalha principalmente com a natureza e motivos míticos de maneira predominantemente estética. Da mesma forma, vemos a artista performática Jessie Kleemann (1959-) como uma artista diferente. Ela circula em torno do qivittok, como um fenômeno de estado de espírito e que foca no processo do desenvolvimento, no qual a sociedade groenlandesa ainda se encontra imersa, como seu tema.

Joias groenlandesas

As joias da Groenlândia são um ótimo presente ou souvenir. Você não somente leva para casa um pedaço da história natural e cultural da Groenlândia, mas também terá uma joia da qual se lembrará para sempre de sua jornada no país.

As joias da Groenlândia possuem uma expressão vívida, pois são primariamente feitas de ossos, dentes, chifres de renas e pedra-sabão. A inspiração para o design das peças vem da natureza da Groenlândia e, como toda joia groenlandesa é feita à mão, cada item é uma obra de arte.

As pedras preciosas da Groenlândia são populares, e você vai notar que as mais atraentes são as do tipo tugtupit, que é rosa ou violeta-avermelhado. O único lugar no mundo onde essa pedra é encontrada é em Narsaq, no sul da Groenlândia e é, desse modo, muito procurada por colecionadores.

A cultura da caça

Desde a primeira onda de imigração via Thule em torno de 4 há 5 mil anos atrás, os Inuit na Groenlândia têm sido dependentes dos recursos naturais na forma de peixes, aves, mamíferos terrestres e marinhos. A caça e a pesca foram, então, sempre uma questão de sobrevivência em um país no qual o verão é curto e o clima não adequado para se formar fazendas.

Eles possuem ferramentas de caça e barcos únicos, que significavam a vida ou a morte. Através das gerações, os Inuit conseguiram criar e refinar produtos tais como o caiaque, a faca das mulheres, conhecida como ulo, a lamparina de pedra-sabão e arpões, armadilhas para pássaros, e roupas de alta qualidade feitas para se esconder de animais e pele. O fato de até a neve compactada poder ser feita de abrigo temporário em forma de iglu é uma demonstração de uma habilidade extraordinária de como eles conseguem utilizar os recursos da natureza.

Desde a infância, as gerações mais jovens são ensinadas por seus pais e mães como fazer uso das ferramentas tradicionais e métodos de caça. Na verdade, não é incomum nos dias de hoje ver crianças capturando seu primeiro peixe ou foca apesar de somente terem começado a frequentar a escola. A primeira captura é um grande evento que é celebrado da mesma forma que os aniversários.

O idioma

O groenlandês pertence à família Eskimo de idiomas. É uma língua "polissintética", o que significa que as palavras são formadas por um radical, um ou mais afixos e um sufixo. Uma palavra groenlandesa, dessa forma, pode ser muito longa e significa que corresponde a uma frase inteira em outros idiomas, como o português.

A língua groenlandesa é normalmente dividida em quatro dialetos: groenlandês do sul, groenlandês do oeste, groenlandês do leste e o dialeto Thule. O groenlandês do oeste é a língua oficial, na qual crianças aprendem, em conjunto com dinamarquês e inglês. Em pequenas cidades e vilarejos não é incomum que somente o groenlandês seja falado e o inglês pode ser entendido e falado de forma muito limitada. Desse modo, é bom aprender algumas palavras durante sua viagem que podem abrir sua comunicação com os habitantes.

Os groenlandeses ficam encantados quando os estrangeiros tentam falar ao menos algumas palavras na língua local. Para ser mais fácil, você pode aprender palavras tais como “olá”, que se diz “aluu”, ou “tchau”, que é simplesmente “baaj” – e ambas são descendentes do inglês. Essas palavras são emprestadas que provavelmente foram introduzidas quando os americanos vieram para a Groenlândia na Segunda Guerra Mundial.

Como é o caso de todas as línguas, o groenlandês continua a evoluir, e quando palavras emprestadas não são utilizadas, palavras novas altamente descritivas são criadas. A palavra “computador” é “qarasaasiaq” em groenlandês, que diretamente traduzida significa “cérebro artificial”, enquanto “batata” é chamada de “naatsiiat” – que na verdade significa “algo pelo qual alguém esperou muito tempo para crescer”. A língua escrita e a pronúncia são outra história e podem ser lidas em vários livros disponibilizados na internet sobre a língua groenlandesa.

A Groenlândia moderna

Na sua chegada à Groenlândia, sua visão estará repleta com os aeroportos cheios, portos pesqueiros movimentados, prédios altos, empresas modernas, marcas de automóveis internacionais, instituições de educação, cafés e cinemas. Essas impressões são misturadas com o estereótipo de uma remota sociedade do Ártico que é esparsamente populosa. Surpreendentemente, a Groenlândia é tudo isso de uma vez só, e o contraste entre o velho e o novo salta aos olhos.

A Groenlândia é, de muitos modos, um país que conseguiu manter sua identidade “original” com uma população originária. É também fato que nas pequenas cidades e vilarejos a fonte primária de renda ainda vem da caça às focas, que provê sustento a aproximadamente 2.500 pessoas. Em pequenas cidades e vilarejos a vida é vivida com calma, bem longe da mais “pulsante” para os padrões groenlandeses – vida urbana que você poderá encontrar nas três maiores cidades, Nuuk, Ilulissat e Sisimiut.

Você sabia que 98% da população da Groenlândia utiliza serviços de telecomunicações digitais avançados? Ou que através da Royal Greenland, a Groenlândia é a maior exportadora de camarões de águas frias, e dessa forma possui extensa experiência em desenvolvimento de produtos inovadores, produção sustentável e distribuição eficiente de produtos de qualidade? E você sabia que a Calota Polar da Groenlândia é utilizada hoje para produzir cerveja groenlandesa assim bem como gelo e água para exportação?

A Groenlândia teve sua autonomia declarada em 1979 e desde 2009 um governo próprio, o que significa que o país assumiu as decisões políticas e competências que anteriormente eram da Dinamarca. A Groenlândia é hoje parte da comunidade nacional dinamarquesa, e os dois países ainda estão unidos em assuntos relativos à política externa, de defesa, moeda e matérias-primas, a polícia e tribunais. Com o governo próprio instituído em 2009, o groenlandês se tornou a língua oficial, juntamente com outros direitos legais e benefícios. Hoje, a Groenlândia está adquirindo cada vez mais olhares internacionais em termos de política e negócios – mas as raízes das antigas tradições não são esquecidas, tanto nas maiores cidades ou no menor dos vilarejos.